Alimentação Saudável

Em Portugal, a nossa tradicional consiste na dieta mediterrânica, prática que têm vindo a ser estudada pelo seu valor terapêutico, dieta rica em vegetais, óleos vegetais e frutos secos. No entanto, certos hábitos começam a desaparecer dando origem a novas atitudes alimentares consumistas e valores nutricionais muito pobres. Muitos portugueses apenas consumem vegetais e leguminosas através da ingestão de sopas.

Precisamos,
urgentemente, de mudar os nossos comportamentos alimentares, como indivíduos e
sociedade. Só assim, poderemos viver mais anos e com mais saúde. O orçamento
geral de estado para a saúde tem consignada uma verba de apenas 1% para a
promoção da saúde e prevenção da doença. 

As principais causas de morte em Portugal são o AVC, acidente vascular cerebral, e o Enfarte do Miocárdio, coração. Estas episódios de doença   seriam, em grande parte, fáceis de prevenir com a mudança para hábitos de saúde e estilos de vida mais saudáveis. Esta nova de atitude teria impacto muito significativo na redução de perda de vidas e nas despesas do SNS. 

Devem ser aplicadas novas normas, regras e práticas de alimentação, através da criação de um programa, a nível nacional, a ser estabelecido  com um foco especial nos lares de idosos, hospitais, creches, escolas, etc.

                   

Novas evidências indicam as vantagens de consumir diariamente porções de cereais integrais, tais como o arroz integral, quinoa, aveia; leguminosas: grão, feijão; verduras: couve portuguesa, espinafres, beterraba; frutos secos e sementes: nozes, caju, sementes de abóbora.   

“Para quem consome carne vermelha, limite o consumo a não mais do que cerca de três porções por semana. Três porções equivalem a cerca de 350–500g de peso cozido. Consuma muito pouca ou nenhuma carne processada.” (1)

Em algumas pessoas, pode ser importante um reforço suplementar em certas ocasiões de acordo com a faixa etária e o regime alimentar.  Muitos provavelmente já ouviram ou lerem algo sobre a vitamina B12, no entanto ao contrário do que muita gente pensa, a vitamina B12 não é de origem animal, mas sim de origem bacteriana. São bactérias que produzem essa vitamina tanto no solo orgânico, quanto no intestino de animais herbívoros e no de humanos.  Sendo cada vez mais aconselhável para pessoas acima dos 65 anos, visto que à medida que envelhecemos a nossa capacidade de absorção pode diminuir, sendo essencial para pessoas com um regime vegetariano ou vegan.  É possível obtê-la através de suplementação ou alimentos reforçados com B12 (levedura nutricional).

Devemos ter em atenção à falta de ferro que, por vezes, pode surgir em pessoas que mudam para um regime vegetariano, devido à maior dificuldade da absorção do mesmo através dos vegetais, uma dica para ajudar passa por juntar vitamina C (por exemplo sumo de laranja junto com uma refeição de espinafres) e evitar principalmente o chá verde à refeição porque prejudica a absorção de Ferro.

Existem cada vez mais evidência sobre os potenciais efeitos cancerígenos do consumo de carne vermelha e carne processada. Carnes processadas costumam ser ricas em sal, o que também pode aumentar o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares. (1)

 

Outros suplementos interessantes para uma faixa etária mais avançada são Ómega 3, ótimo para a memória e concentração, via suplementação, frutos secos (Nozes), sementes de linhaça em pó e peixes ricos em ómega 3 (salmão, cavala etc.).

Por fim a vitamina D, algo que apesar de ser obtida através de exposição solar e, em Portugal, termos bastante sol ao longo do ano, acabamos por sofrer de deficiência na mesma. Neste assunto, estudos recentes sugerem que talvez exista uma caracterização genética da população portuguesa que possa explicar parte desta insuficiência. 

 As restantes vitaminas, minerais e nutrientes ficarão   garantidas   por boas práticas nutricionais, através da uma dieta rica alimentos vegetais e integrais.

Devemos passar de uma lógica de alimentação quantitativa para uma alimentação qualitativa e de nos preocuparmos, cada vez mais, com a origem e qualidade dos alimentos que confecionamos e ingerimos. Comer muitos vegetais frescos que são cultivados localmente de acordo com a estação, orgânicos, comer fruta da época, incorporar gorduras saudáveis na dieta e consumir uma leguminosas e cereais integrais.

“Os hábitos alimentares inadequados são o terceiro principal fator de risco para a perda de anos de vida saudável. Dentro dos hábitos alimentares, o baixo consumo de cereais integrais, o baixo consumo de fruta e o baixo consumo de frutos oleaginosos e sementes, destacam-se como os 3 principais fatores que contribuem para a perda de anos de vida saudável” (2)    

                  

Em 2015, o Dr. Kim Williams tornou-se o presidente da Faculdade Norte Americana de Cardiologia. Perguntaram-lhe porque havia optado por seguir uma dieta estritamente à base de vegetais, ao que ele respondeu “Não me importo de morrer, só não quero que seja culpa minha” (3)

Para reflexão final, termina-se com este pensamento “os homens pedem a Deus que lhe dê saúde. Mas não compreendem que podem ter controlo sobre si próprios” de Demétrio, pensador grego (350 anos a. C.)

Fontes 

  1. Word Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research. Continuous Update Project Expert Report 2018. Recommendations and public health and policy implications. Continuous Update Proj. 2018;
  2. Alimentação e Saúde, in nutrimento.pt, consultado em 20 setembro, 2021. Componente do PNAS (Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável), (https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/alimentacao-e-saude/
  3. Greger M. Como Não Morrer. 2a. Lua de Papel, editor. 2018. 752 p. 2
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